terça-feira, julho 15, 2003

Eu estava no banho, de manhã, acordando, morrendo de frio (e por isso mesmo fechado no banheiro rezando para ele terminar de aquecer mais rapidamente), quando me lembrei de que eu ontem, após o banho, havia deixado na saboneteira apenas um filete do que um dia foi um sabonete. Conferi, na esperança de que alguma entidade qualquer houvesse deixado um novo sabonete durante a madrugada. Mas aparentemente, se um ser místico havia passado pelo meu banheiro na madrugada, além de não ter me deixado um novo sabonete, ainda havia tomado ele mesmo seu banho, já que o sabonete parecia ainda menor naquele frio.

Mas então – acordando, acordando – me lembrei, feliz, de ter passado ontem à noite no supermercado e comprado 5 lindos novos sabonetes, limpinho que sou. Desorganizado, mas limpinho.

Aquela felicidade durou cerca de 4 segundos. Apenas o necessário para me lembrar de que havia deixado os sabonetes sobre a mesa logo na entrada do apartamento, já preocupado com alguma outra coisa. E eles lá haviam permanecido. Naquele banheiro já quente, confortável, enxerguei minhas opções aceitáveis (excluindo tomar banho de corpo inteiro com shampoo): operar um milagre com aquele filete translúcido de sabonete, ou sair do banheiro, molhando o chão (que estaria bem gelado, aliás), passar muito frio e raiva até alcançar os sabonetes sobre a mesa da cozinha.

Meu uso daquele filete de sabonete deve ter adiantado em uns 2 anos as pesquisas sobre nanotecnologia no brasil.

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